04 Aug

A Criança que Nada Sentia…

O filho de Ricardo não enxergava, não possuía tato, não sentia o gosto nem o cheiro das coisas, e tampouco ouvia os sons a sua volta… Uma crise de meningite aos 10 meses lhe tirara essas possibilidades.

angel with child

Tive a chance de ouvir a história deste homem. Por 7 anos ele cuidou de seu filho, contrariando os médicos que lhe deram apenas 12 meses de vida.

Ele cuidava de todas as necessidades do filho, e mesmo tendo ouvido que o pequeno nada percebia, conversava com ele, e lhe fazia leves carinhos na pele todos os dias.

“É tudo uma questão de energia” – ele dizia… “Como quando se fala ao celular, você nem percebe, mas a energia cruza as distâncias e chega do outro lado.”

Ricardo me ensinou mais…. “É a intensidade que conta”.

Um dia ele estava chegando em casa, e ao tentar virar a maçaneta, sentiu uma violenta facada no estômago. Mal se recuperou, e ao entrar em casa viu o filho se contorcendo de dor no chão da sala.

Ricardo massageou em seu filho o mesmo local onde sentira a facada, e sem saber direito o que ocorria, ajudou o filho a excretar um terrível fecaloma. Prontamente, a criança adormeceu, em paz.

A partir deste dia, tudo que o filho sentia, Ricardo também sentia. A fome, a sede, o desconforto, o sono, como se os dois corpos fossem um. Ele sabia o tempo todo o que seu protegido necessitava.

“É a intensidade que conta, lembra?…” – Ele me perguntou.

e depois completou… – “Ficamos tão limitados ao que vemos, e ouvimos, que não ativamos canais de comunicação superiores, mais verdadeiros…”

Talvez você se pergunte em que linha terapêutica este Mestre segue… Ou em qual escola você também poderia usufruir de seus ensinamentos.

Bom, se você quiser, o táxi do Ricardo circula pela Tijuca e pela Zona Sul. Eu posso dar um cartãzinho dele, e talvez, em algum trajeto entre a rodoviária e sua casa, você possa, como eu, chegar um pouquinho mais perto da Verdade.

Realmente a Nova Era está próxima… Os Mestres estão em todos os lugares… falando pelo Grande Espírito. E mesmo que nós nos calemos, ou que tombemos corrompidos, acredito piamente que as pedras passarão a falar em nosso lugar.

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No nosso próximo encontro irei conduzir uma meditação inspirada na história do Ricardo. Gratidão aos amigos que já estarão presentes, e aos que ainda se juntarão a nós, para testemunhar esse momento. 

https://www.facebook.com/events/1645843359027443/1646788665599579/

Namastê, Ahô, Axé!

Agni Sagar

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13 May

Minha vida como Terapeuta Tântrico…

Muitas pessoas me perguntam: Como é a vida de um terapeuta tântrico? Como é o seu dia-a-dia? Parece com o de um ser humano normal? E claro, a melhor de todas…. Você faz sexo todo dia, horas por dia?

Para começar a explicar isso é preciso contar um pouco da minha história, de como tudo começou…

Eu era um profissional de sucesso no mercado de trabalho, reconhecido e bem-sucedido financeiramente, casado e com filhos… Para todos os padrões da sociedade, possuía a vida perfeita. Tudo parecia no seu lugar.

E digo parecia, pois os rótulos de sucesso social escondem duras verdades que não queremos enxergar… A primeira delas é que eu não tratava bem minha família. Devorado pelas exigências de um emprego insano de horas e horas, não sobrava tempo, paciência, e nem forças para distribuir àqueles que eu amava. Minha presença em casa resumia-se à reclamação do meu direito de descanso, afinal de contas, eu “matava um leão por dia”.

Era ríspido, grosso, e insensível… Insensível pela falta de sensibilidade com o outro, e pela minha própria dificuldade de sentir o que estava a minha volta. Pesava aproximadamente 105Kg, com apenas 1,65m de altura, estava à um passo da pré-diabetes, em estado de depressão constante.

Foi só uma questão de tempo, e claro, o fim de tudo chegou… O fim do casamento, o fim das forças, o fim do amor próprio… Colapsado sobre o peso das minhas próprias mentiras.

Tentei diversos tipos de terapias, mas nada parecia ser capaz de me tirar de onde eu estava. Mesmo culpado, chorava como uma vítima, como se o mundo fosse o responsável pelos meus infortúnios.

E foi aí que conheci o Centro Metamorfose, um centro de Terapêutica Tântrica. Ofereciam workshops e um trabalho de massagem corporal, o Método Deva Nishok de Massagem Tântrica.

Decidi experimentar a massagem primeiro… E foi neste dia, sob os cuidados de uma terapeuta tântrica, que o grande marco da minha vida foi desenhado. Eu tive orgasmos como nunca tinha tido, secos e ejaculatórios, mas ao mesmo tempo, não estava fazendo sexo… Pelo menos não com a terapeuta.

Eu estava em comunhão com meu próprio corpo, e fui capaz de amá-lo mesmo acima do peso. Fui capaz de sentí-lo em todo o seu potencial, em toda a sua Sacralidade, a cada onda orgástica que me invadia, arrebatado por forças desconhecidas, e levado a um espaço de compreensão da minha verdade e do meu poder pessoal.

Deste dia em diante me dediquei a conhecer tudo que este Centro tinha a oferecer, cursos e massagens. Perdi 35Kg em 9 meses, fazendo uma dieta moderada, e amando a mim mesmo. Fiz as pazes com a minha família, me reconciliei com meus desafetos e encontrei todos os perdões que faltavam para seguir em frente.

E depois de me ver limpo… Aí sim, veio o chamado. A hora de compartilhar…

Larguei meu emprego de sucesso, e investi minhas economias para tornar-me terapeuta. Fui tutelado por preceptores extraordinários, pessoas incríveis…. aprendi, desaprendi, e aprendi de novo, até chegar ao momento de agora.

O curso de formação é uma reviravolta na vida. Um grande levantar do véu, um sair da ignorância. Enquanto estudei com esses terapeutas, enxerguei não só a pequenez que eu trazia dessa sociedade perversa que vivemos, mas também o caminho para me livrar dela.

E assim, lição após lição, dinâmica após dinâmica, fui me entregando, fui me desafiando, e me preparando. Até que um dia, sem perceber exatamente o porquê, sabia que estava pronto.

Como terapeuta atendi homens e mulheres nas mais variadas situações… Inconformados com a falta de orgasmo e prazer, vítimas de abuso sexual,  reféns da depressão crônica. E através do toque e das meditações proporcionadas por esta terapêutica, testemunhei nestas pessoas as mesmas revoluções que me curaram.

Chorei, ri, e me comovi junto à cada episódio, sentindo crescer a certeza de que havia feito a escolha certa. Fiz amigos para a vida toda, irmãos de caminhada.

Hoje meu lema é deixar todos os dias serem convites, convites para o aprendizado, para o crescimento, e para a exploração do novo. Separo o meu tempo de ler e estudar, o tempo de praticar, e o tempo de amar a vida… Todos os três contribuem igualmente para o meu desenvolvimento.

Aprendi a viver em meditação, e a enxergar, nas pequenas e grandes coisas, os mestres do Alento. Tudo que aprendo eu compartilho, e quando o faço, parece que aprendi melhor ainda. Muitas vezes, quando o coração permite, compartilho até mesmo aquilo que estou precisando aprender, e aprendo enquanto compartilho.

Vivo cada dia mais cheio de felicidade, e mais vazio de conhecimento… Durmo e acordo sabendo menos, mas sendo capaz de fazer mais.

E claro, sei que você não esqueceu… Quanto ao sexo, digo com prazer que faço menos do que antes… Deixei de ser um refém da compulsão sexual. Hoje, para mim, sexo é algo a ser feito com o coração, a mente, a alma, em momentos de conexão com o Sagrado. É preciso arrumar o ambiente, é preciso reverenciar sua parceira, é preciso ter tanta presença e dedicação, que todo o ritual dure horas… e que ao final dele, sobre apenas uma brisa de amor e compaixão sobre dois corpos exaustos e plenamente satisfeitos.

Quando me perguntam como é a vida de um terapeuta tântrico… Eu digo do fundo do coração: “Se você realmente quer saber, trilhe esse caminho também…”

Namastê,

Sagar

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26 Sep

E Deus disse, faça-se o Clitóris…


Entrevista com o Clitóris
- Comentada por Sagar -

Pergunta: Você é o único órgão humano encarregado única e exclusivamente de dar prazer e, no entanto, não tem sido reconhecido como merece. Isto é mais uma prova da tendência masoquista do ser humano?

Clitóris: O pênis tem muitos monumentos, uma corrente artística, quase um gênero — o fálico. A mim, foram feitas poucas estátuas, e deveria ser exatamente o contrário. O meu trabalho é totalmente altruísta e desinteressado. E, apesar disso, sou também o único órgão que deve pedir asilo político. Em alguns países cortam-nos a cabeça, e isto as próprias mães fazem com as filhas. Imagine-se um lugar onde fossem cerceadas as orelhas às crianças ao chegarem à puberdade! Seria uma loucura, mas com a gente continua acontecendo.


clitoris-miniEsta é parte 1 de uma série de comentários do terapeuta Sagar sobre as perguntas e respostas da famosa Entrevista com o Clitóris.


Sagar: Realmente, não existe nada parecido com o Clitóris… Ele possui de 8000 a 12000 terminações nervosas, o dobro da glande de um pênis. O mais interessante, porém, é que todos esses nervos foram projetados para uma única função… dar prazer.

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Ainda assim, quase todas as formas de religião condenam o prazer sexual em algum nível. O único sexo válido é o praticado para fins de reprodução, e o resto é, digamos… pecado.  Agora, o que fazer quando nos deparamos com um órgão que só serve para dar prazer? Seria esse o órgão do pecado?

Para o Tantra, o corpo e a sexualidade são sagrados.  Os genitais também.

O tabu que vivemos com a sexualidade leva o trato com o órgão sexual às sombras da psiquê. Não podemos falar sobre eles, não podemos aprender sobre eles, não podemos tocá-los, nem ter consciência sobre eles.

O resultado dessa repressão é óbvio… Nossa sexualidade evolui junto com outros aspectos sombrios da personalidade, e desenvolve-se em perversões, taradices, fetiches incontroláveis, abusos, e uma grande sorte de problemas e neuroses. 

dois monges e a mulher

… Diz uma história Zen que dois monges castos, mestre e discípulo, caminhavam por um rio quando se depararam com uma linda mulher à margem, incapaz de atravessar. O mestre, para horror do discípulo, prontamente tomou a mulher em seu colo e a carregou até o outro lado. Na hora o discípulo nada disse, mas após algumas horas, incapaz de se conter, interrogou o mestre: – “Como pôde o senhor tomar aquela linda mulher nos braços?”. Ao que o mestre respondeu: – “Ah, aquela mulher? Eu já a deixei para trás na margem do Rio, mas você, pelo visto, ainda está carregando-a até agora!”

Você já parou para pensar que 99% dos nossos xingamentos estão associados ao sistema excretor-reprodutor? E ainda somos capazes de dizer que não temos problemas com a sexualidade, que nossa geração é “desencanada”. Eu duvido muito…

É chegada a hora de assumir que a culpa das perversões e do sofrimento associado ao sexo não é inerente à sexualidade, mas sim fruto da repressão, da desinformação, e da ignorância generalizada.

O ser humano sexualmente saudável não faz sexo com a imaginação… Faz sexo com o corpo, com os sentidos, com as ferramentas naturais que lhe foram dadas na sua concepção, e através das quais pode encontrar um profundo estado de paz, saúde, harmonia, e tranquilidade espiritual. No Tantra, esse estado de iluminação é chamado de Unio Mystica.

Quando Deus disse, “faça-se o Clitóris”, ele deu um recado… Mas todos os “intermediários encarregados” de Deus fazem questão de transmitir outra mensagem. Dizem que Deus os escolheu para ensinar outra coisa.

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A verdade é que pelo próprio design da Natureza, o prazer sexual e a reprodução são coisas diferentes. Sua proximidade e interpolação, é claro, ajudam na propagação da espécie, mas uma não existe apenas para a outra.

Quando livres das perversões viciadas, o orgasmo e o estímulo genital promovem a circulação de diversos hormônios importantes na corrente sanguínea. Liberam endorfinas, dopaminas, serotoninas e ocitocinas, que previnem quadros de depressão, retardam o envelhecimento, aumentam a imunidade, estimulam o raciocínio e a capacidade de aprendizado, e tornam a pessoa muito mais bonita.

Quando Deus disse, “faça-se o Clitóris”, ele deu um recado… Você não foi feito para a dor, você foi feito para o prazer. 

Sagar

Artigo na íntegra publicado no El País em 04/02/2014
Traduzido por Silvio Diogo
Comentários por Sagar Metamorfose

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18 Dec

Repressão e Expressão

“Repressão significa viver uma vida que não é o seu destino. Repressão é fazer coisas que você nunca quis fazer. Repressão é ser uma pessoa que você não é. É uma forma de se autodestruir.

Expressão é vida, repressão é suicídio. Não viva uma vida reprimida, do contrário você não viverá. Viva uma vida de expressão, criatividade, alegria.

Ouça seus instintos, ouça seu corpo, seu coração, sua inteligência. Dependa apenas de si mesmo, vá aonde quer que sua espontaneidade o leve, assim você nunca estará perdido.

E, seguindo espontaneamente sua vida natural, um dia você acabará chegando às portas do divino.”

- Osho -

premsagar


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05 Dec

Mahamudra – O Êxtase Final

“Mahamudra é uma experiência de não-ser, você simplesmente não-é. E quando você não é, quem está lá para sofrer? Quem está lá para estar em dor e angústia? Quem está lá para ser feliz e extasiado? Buda diz que quando você está em êxtase, pode novamente tornar-se vítima do sofrimento, pois você ainda está presente. Quando você não-é, completamente não-é, então há o verdadeiro êxtase. Atingir o nada, é obter tudo…”

Osho


Maha significa “grande”, e mudra significa “gesto”… Literalmente, o grande gesto, ou o gesto final, o movimento último, a partir do qual não há mais movimentos, pois o próprio ser que fez o movimento desaparece.

Quando a larva se transforma em crisálida, este é o seu gesto final, ela morre em sua forma conhecida, para, depois de algum tempo, renascer como uma borboleta. A larva nada pode fazer após virar crisálida, afinal, ela deixou de ser uma larva… deixar-se para trás foi o último ato possível deste ser, para o não-ser.

Na meditação, a morte da forma, ou a morte do ego, é um Mahamudra, um gesto final que liberta em direção a espontaneidade, ao natural, à plenitude.

O não-ser… não é o que os outros queiram que ele seja, nem o que ele mesmo acha que deveria ser… é apenas um fluxo contínuo, uma pura expressão da vontade do Universo.

Atingir o nada… é obter tudo.

Sagar

borboletas

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