24 Jan

Diário de Marina: 02 – Momento de Plenitude

Esse é o relato pessoal das experiências de Marina em sua primeira sessão de massagem tântrica. Para saber mais sobre quem é a Marina, e o que a trouxe até aqui, leia sua Biografia.


Eu já havia participado de algumas Meditações Ativas com o Sagar antes, que me fizeram sentir mais limpa e leve, mais consciente do meu corpo. Estava muito emocionada pelo prazer sentido com as vivências, e isso trazia um grande sentimento de gratidão ao meu coração.

Ao marcar a sessão de massagem, porém, estava bastante nervosa e ansiosa. Queria muito conhecer como era, mas ao mesmo tempo me sentia insegura e com medo do que pudesse acontecer, medo de me envolver, medo de não me envolver. Muitas questões na minha cabeça principalmente pelo medo do desconhecido.

O primeiro momento da massagem já foi bastante conflitante, pois é preciso tirar a roupa. Tenho vergonha do meu corpo e a presença do terapeuta na hora da massagem aumenta mais ainda o constrangimento.

Tirei a roupa rapidamente e fechei os olhos, dentro de mim uma sensação muito contraditória, ao mesmo tempo em que sentia uma vontade enorme de sair correndo há uma curiosidade de saber o que será feito e se valerá a pena o primeiro esforço de ficar sem roupa, cheguei a pensar naquele momento em não ir às próximas vezes e não entendia como tive coragem de estar ali. Um processo nada fácil, mas enfim já estava ali e resisti em desistir.

A música começa e sou levada a respirar de forma mais consciente, ainda com muito medo e lutando para me entregar ao presente, sem fugas. A primeira massagem acontece com o terapeuta percorrendo todo o meu corpo com as pontas dos dedos e o meu corpo começa a responder bem a esses estímulos. Pouco a pouco vou sentido menos vergonha e mais prazer em estar ali.

Sentir esse primeiro toque foi fundamental para criar confiança e me sentir mais à vontade com a presença de outra pessoa ali, como se em cada toque ele estivesse falando que não haveria julgamentos e o que importava ali era meu corpo se expressar, fosse da forma que fosse.

Quando a outra parte da massagem começou, parecia que meu corpo estava totalmente confortável com os toques, mas ainda com alguma resistência de minha mente. A massagem continua e em alguns momentos sinto a ausência da minha mente por completo, meu corpo estava tão bem estimulado e com tanta vontade de se entregar que acabei me desarmando, porém, ainda em alguns momentos passa pela minha cabeça todas as vergonhas e invento fugas para sair do processo tentando entender o que estava acontecendo e até mesmo tentando me afastar do terapeuta, mas com muita força continuei e valeu muito à pena.

Depois de um tempo, minha mente desiste de estar presente porque me senti tomada pelo prazer que passava por todo meu corpo. Esses momentos de confronto foram tão difíceis e ao mesmo tempo tão prazerosos que eu comecei a chorar sem entender o porque. Meu corpo se encheu de uma energia através do prazer que eu experimentei uma sensação nunca sentida antes. Momentos de gritos e de libertação.

O que sentia ali era um sentimento de liberdade e felicidade que nunca imaginei que pudesse sentir. Me senti inteira no processo e a intensidade era tanta que não sentia as extremidades do corpo, era como se eu flutuasse.

Ao final da massagem meditei por alguns minutos e sentia a energia percorrendo meu corpo e me alimentando de todo bem. Naquele momento tive a sensação de estar quebrada por dentro, sem controle. E ao mesmo tempo completa, preenchida, satisfeita.

Em minha vida sexual já tinha tido alguns orgasmos, porém nada que se pode comparar com aquele momento vivido ali. Sentir a potência energética do meu corpo foi tão satisfatório que me senti uma vencedora e muito feliz por descobrir essa potência humana e linda. Senti uma enorme gratidão no meu coração por ter podido vivenciar aquele momento de plenitude e vontade de compartilhar com todas as pessoas essa vivência, vontade de que todos pudessem sentir a mesma felicidade que eu senti naqueles momentos, que todos pudessem experimentar a alegria que o seu corpo pode te oferecer com as indicações certas.

Passar por essa experiência foi tão intenso, que naquele momento entendi que algumas coisas podem mudar para melhor em mim. Se há dentro de mim essa força tão grande que me satisfaz e me deixa feliz algumas coisas da vida começam a não ter mais sentido e alguns problemas parecem pequenos. Me sinto mais livre e tenho colocado menos peso em algumas coisas que antes eram um fardo. Me sinto mais disposta à entender os outros e julgar menos. Acredito que ainda há barreiras para serem quebradas, porém, me sinto mais feliz comigo mesma e tenho muita vontade de continuar nessa caminhada.

Marina


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22 Jan

Diário de Marina: 01 – Quem sou eu?

Olá, sou a Marina. Tenho 22 anos, um filho, trabalho no funcionalismo público e sou estudante.

Nasci em uma capital e vivi minha infância dentro de um apartamento, me divertia mais nas férias no interior, na casa da minha avó. Cresci perto da minha mãe e do meu pai, que se separaram quando eu tinha 6 anos. Sempre respeitei mais minha mãe, na verdade sentia medo dela, queria agradá-la o tempo todo.

Isso atrapalhava meu relacionamento com meu pai, já que ela sentia muita raiva dele, acabei oprimindo meu carinho e amor por ele, por receio de desagradar minha mãe. Quando ele saiu de casa, isso piorou, ele aparecia raramente e me culpava por não procurá-lo. Eu falava muito pouco com ele, mas gostava de sua companhia, achava ele engraçado.

Em geral eu gostava de ir para a escola, pois era aonde eu encontrava amigos e também de ir à igreja.
Me lembro um pouco da minha sexualidade na infância… me masturbava escondido, de vez em quando, mas me sentia culpada, “safada”. Um dia encontrei umas revistas do meu pai e me interessei, mas minha mãe me encontrou e me deu uma bronca. Desde cedo me interessei pelos meninos na escola, namorava escondido. Mas para minha mãe aparentava uma menina boa e estudiosa.

Quando eu tinha 8 anos eu e minha mãe nos mudamos para uma cidade de litoral interior em um outro estado. Me afastei mais ainda do meu pai e me uni à minha mãe. Sempre sendo companheira dela. Aos 14 consegui o consentimento dela para namorar um menino. Suas recomendações eram de que eu jamais pensasse em fazer nada além de sair pra passear junto e dar uns beijinhos.

Ainda assim, pouco tempo depois engravidei, e me tornei mãe. Resolvi me casar mesmo que as pessoas me aconselhassem o contrário. Mas para mim seria impossível a convivência com a minha mãe após o acontecido. Além disso sentia muito carinho pelo meu namorado e queríamos prosseguir na igreja do qual éramos membros.

Eu sentia muita culpa pelo meu “pecado”, mas nesse ponto a igreja não nos condenou, ao contrário me apoiou bastante e ajudou para nos casássemos. Minha família também me apoiou, mas ao mesmo tempo me criticaram bastante.

Minha mãe se decepcionou muito comigo, mas sempre esteve ao meu lado, sempre me ajudando. Meu pai nunca mais falou comigo e há dois anos atrás faleceu sem que tivéssemos conversado novamente. Minha vida mudou muito rápido depois da gravidez e do casamento e eu tive que amadurecer bruscamente. Nunca parei de estudar e ingressei em uma Universidade federal logo após de terminar o ensino médio.

Minha sexualidade depois do casamento foi quase inexistente, nossas relações eram ótimas até que casamos e isso nunca mais andou bem. Fomos namorados durante dois anos e casados há quatro anos. Há um ano me separei.

Durante o casamento para eu me satisfazer sexualmente eu traia meu marido e ficava com pessoas aleatórias. Fazer sexo durante esses encontros sempre me trouxe muita culpa, às vezes era bom, às vezes era péssimo, mas sempre cheio de insegurança. Desenvolvi graças a vida conturbada, desempenhando várias funções, um transtorno de ansiedade e uma baixa autoestima.

Minhas traições foram perdoadas, mas já não conseguíamos sustentar uma relação sem carinho. Também mudamos muito e nos tornamos pessoas completamente diferentes. Eu estava mais segura, me libertei da igreja e dos dogmas que ajudava minha repressão. Além disso, para mim o casamento já tinha se tornado um peso muito grande, quando consegui independência financeira, me libertei.

Fiz tratamento psicológico para controlar a ansiedade e tenho procurado cuidar mais de mim mesma.
Durante esse tempo recém solteira, tenho aproveitado bastante meu filho, minha casa e saído às vezes para me divertir. Tive alguns parceiros aleatórios. Sinto especialmente que não me conheço sexualmente. Sempre tive ocupada tendo que lidar com todas essas relações conturbadas que eu falei acima. Perdi cedo o tesão pelo meu marido e tive uma vida sexual inativa durante esse período. Quando me relacionei com caras aleatórios sempre o sentimento de culpa estava envolvido e me deixava insegura.

Tive experiências com meninas que foram bem legais, mas em nenhuma delas tive orgasmo. Com os meninos os orgasmos aconteceram, mas nada que se comparasse a minha primeira experiência na massagem tântrica. O sentimento de completude e segurança que os vários orgasmos na massagem me trouxeram me fizeram ver o quanto eu perdi esse tempo todo sem me entregar e me permitir sentir prazer.

Tenho hoje um desafio que muito me incomoda. Meu relacionamento com minha mãe desde que eu me casei não é bom. E até hoje não consegui consertar essa área dentro de mim. Me senti oprimida por ela por diversas vezes na minha vida. Depois que conquistei minha independência fiquei mais à vontade para me posicionar contrária a ela, já que me tornei uma pessoa muito diferente das expectativas dela e isso gerou brigas e discussões. Ela é uma pessoa difícil de conviver, mas eu também reconheço que tivemos discussões desnecessárias graças a mim. Tenho muita gratidão a ela, pois ela sempre esteve ao meu lado. Mesmo me criticando bastante. Gostaria que mesmo sendo diferente dela, conseguíssemos uma relação melhor.

Tenho algumas encanações quando o assunto é sexo e sinto que preciso me conhecer mais. O tantra em algumas experiências que tenho tido agora tem me ajudado a levar a vida com mais leveza e ser saudosa às coisas boas. Acredito que ele pode me ajudar nessa fase de mudanças e descobrimentos.

Marina


Esta é a biografia de Marina, uma das autoras do Meu Querido Orgasmo. Para ler todos os detalhes de sua experiência com a Terapêutica Tântrica, confira o primeiro relato em seu diário: Momento de Plenitude.

Sagar

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